Meia-entrada é o assunto que mais gera dúvida quando um produtor monta o primeiro evento pago, e também o que mais gera prejuízo silencioso quando é configurado errado. A regra em si é curta. O problema é que ela precisa valer em três lugares ao mesmo tempo: no preço, no estoque e na porta.
O que a lei diz, em uma frase
A Lei 12.933/2013 garante meia-entrada a estudantes, pessoas com deficiência (e um acompanhante), jovens de baixa renda entre 15 e 29 anos e idosos, com o benefício limitado a 40% do total de ingressos disponíveis para cada evento.
Dois detalhes que costumam passar batido:
- O limite de 40% é sobre o total de ingressos do evento, não sobre cada lote isolado.
- O idoso tem direito garantido por legislação própria e, na prática, é tratado fora dessa cota de 40%.
Erro 1: criar "ingresso meia" como um tipo à parte
É o caminho mais intuitivo e o que mais dá problema. Quando a meia é um tipo de ingresso separado, você passa a ter duas escadas de lote para manter sincronizadas na mão. Muda o preço do terceiro lote da inteira, esquece o da meia, e o público encontra meia mais cara que inteira num sábado à noite.
O jeito certo é a meia ser um espelho automático do lote: cada lote gera sua versão a 50%, e qualquer mudança no lote vale para as duas ao mesmo tempo. É assim que a a.pass faz. Você mexe em um lugar só.
Erro 2: controlar a cota de 40% por fora
A cota é uma conta viva. Ela muda a cada venda, e precisa ser respeitada considerando o evento inteiro, não o lote da vez. Planilha não acompanha isso durante um pico de venda.
O controle precisa estar no mesmo sistema que vende: quando os ingressos de meia chegam ao limite do evento, a opção some do checkout automaticamente. Sem alarme, sem alguém precisar lembrar de fechar na mão às três da manhã.
Quem controla a cota fora do sistema descobre o estouro no fechamento, quando já vendeu mais meia do que podia e não tem como desfazer.
Erro 3: tratar a conferência como problema da portaria
O documento que comprova o direito à meia é conferido na entrada, e isso é inevitável. Mas dá para chegar na portaria com a fila já resolvida:
- A escolha é por participante, não por pedido. Numa compra de quatro ingressos, dois podem ser meia e dois inteira. Se o sistema obriga a separar em dois pedidos, o comprador desiste ou erra.
- O ingresso precisa chegar marcado na portaria. O operador tem que ver "meia-entrada" na tela ao validar o QR, para saber que precisa pedir o documento.
- Cupom não acumula com meia. Essa regra tem que ser aplicada no carrinho. Se ela só existe no contrato, alguém vai comprar meia com cupom e a discussão vai acontecer na porta, com fila atrás.
Como fica na prática
Num evento configurado direito, o fluxo é este:
- Você monta a escada de lotes normalmente, sem pensar em meia.
- O sistema gera o espelho a 50% de cada lote.
- O comprador escolhe, por participante, quem é meia.
- A cota de 40% do evento é contada em tempo real e trava sozinha.
- O ingresso chega na portaria marcado, e o operador confere o documento na entrada.
Nenhuma dessas etapas exige planilha, e nenhuma exige que alguém da produção acompanhe a venda de madrugada.
Uma observação sobre preço
Meia-entrada custa metade do inteiro. Isso significa que a sua precificação precisa considerar o mix esperado. Se o seu público é majoritariamente estudante e você precificou o inteiro contando com todo mundo pagando cheio, a conta não fecha, mesmo com a cota limitada a 40%.
Vale simular: com 40% de meia, o ticket médio cai cerca de 20% em relação ao preço de tabela. É esse número que você deve usar no seu ponto de equilíbrio, não o preço cheio.
Se quiser ver como isso aparece no painel e no checkout, a página de venda de ingressos mostra o espelho de lote, a cota e a escolha por participante. E se a dúvida for sobre a conferência na entrada, o controle de acesso explica o que o operador vê na tela.